Alguns objetos continuam presentes mesmo quando as tendências ao redor deles mudam completamente. Podem atravessar décadas, aparecer em diferentes ambientes e continuar sendo reconhecidos por sua forma, função ou linguagem.
Mas o que faz um objeto se tornar um clássico do design?
A resposta não está apenas na aparência. Um clássico costuma reunir uma série de decisões que permanecem relevantes ao longo do tempo, desde sua relação entre forma e função até a maneira como se conecta ao contexto cultural em que foi criado.
Função e forma precisam encontrar equilíbrio
Um objeto pode chamar atenção pela aparência, mas sua permanência depende também da maneira como funciona.
A relação entre forma, proporção, ergonomia e uso ajuda a determinar se aquela peça continuará fazendo sentido depois que a novidade inicial passar.
É por isso que muitos clássicos são reconhecidos pela clareza de sua solução. Não dependem necessariamente de excesso visual para permanecerem presentes.
A proporção atravessa tendências
Cores e acabamentos podem mudar conforme o período, mas determinadas proporções continuam agradando porque estabelecem relações equilibradas entre as partes.
Uma cadeira, uma luminária, uma mesa ou um objeto decorativo pode permanecer relevante justamente porque sua escala e estrutura não estão condicionadas a uma tendência específica.
Materiais também contam uma história
A escolha do material participa da identidade de um objeto.
Madeira, metal, vidro, cerâmica, pedra e outros materiais carregam características próprias, tanto visuais quanto táteis. Quando essas características são incorporadas de maneira coerente ao projeto, contribuem para a permanência da peça.
Além disso, alguns objetos se tornam referências justamente por introduzirem uma nova maneira de utilizar determinado material ou processo produtivo. O contexto também transforma um objeto em referência
Nenhum clássico existe isoladamente.
O período histórico, a cultura, a tecnologia disponível e os hábitos de uma sociedade influenciam o desenvolvimento de um objeto.
Algumas peças se tornam importantes porque representam mudanças de comportamento. Outras porque sintetizam determinada linguagem de design. Há ainda aquelas que passaram a fazer parte da história por sua relação com movimentos, designers ou fabricantes.
Um clássico não precisa parecer antigo
Ser clássico não significa necessariamente ter aparência tradicional.
Objetos contemporâneos também podem adquirir relevância duradoura quando apresentam uma solução consistente e uma linguagem capaz de sobreviver à passagem das tendências.
O tempo é justamente um dos elementos que ajudam a revelar essa permanência.
Por isso, a curadoria de objetos não precisa seguir apenas aquilo que está em evidência no momento. Conhecer a história, o contexto e as características de uma peça permite identificar objetos que podem continuar fazendo sentido muito depois de uma tendência desaparecer.
Na Marche, essa perspectiva faz parte da maneira de olhar para o design. A seleção de objetos considera não apenas o que chama atenção hoje, mas também o que possui linguagem, contexto e qualidade suficientes para estabelecer uma relação mais duradoura com os ambientes.